CERCIPENICHE Um olhar sobre a comemoração dos 43 anos

A Cercipeniche comemora hoje 43 anos. Sem pompa e circunstância, que os tempos não estão para grandes avarias, mas ainda assim com a consciência de quem tem um percurso que fala por si, não tão conhecido de todos como gostaríamos, nem sempre tão reconhecido por alguns como seria de justiça.

As organizações, são de facto o espelho do esforço e dedicação das pessoas que por ela passam, dirigentes, colaboradores ou voluntários, que no dia-a-dia vão construindo respostas solidárias que ajudam a cumprir direitos. E neste percurso apesar de tudo ainda jovem, a Cercipeniche soube granjear o respeito junto dos seus pares, nacionais e internacionais, sobretudo pela qualidade das intervenções que promove e pelos contributos que tem dado para a inovação em reabilitação. Independentemente dos juízos que sobre ela se possam formular, alguns deles injustos porque desprovidos de conhecimento fundado da realidade, a Cercipeniche é uma organização incontornável na intervenção social no Concelho de Peniche. Provavelmente entenderão alguns que não serei eu a pessoa mais indicado para elogiar a Cercipeniche, já que isso pode ser associado a um exercício de vaidade, sendo eu um dos responsáveis pela Instituição desde há largos anos.
Mas é coisa que não me preocupa, primeiro porque sempre entendi que as organizações e as obras que desempenham são um resultado coletivo e estão, por isso mesmo, muito para além das individualidades que mais aparecem, e depois porque reconhecer o mérito não pode ser condicionado pela oportunidade.
O mérito, quando existe, deve ser assumido sem complexos de qualquer natureza e, desse ponto de vista, Peniche deve estar grata à obra que tem sido desenvolvida. É justo por isso lembrar aqui e agora alguns pioneiros desses tempos difíceis mas entusiasmante alguns felizmente ainda entre nós, como a Maria Augusta, o Dr. Jorge Santos Silva, a Zulmira Pestana, o Carlos Mota e a Bia Mota, e outros que já dobraram a esquina da vida como o senhor Luís Leonardo, o Elísio Caneira ou o Dr. Renato Fortes. Foi naturalmente um percurso difícil o dos primeiros tempos, quando foi preciso começar literalmente do zero.
Mas havia no ar ainda um cheiro intenso de Abril e as pessoas estavam bem despertas para a solidariedade. Um balde de tinta aqui, um móvel recuperado acolá, milhentas horas de voluntariado roubadas à família e aos amigos, puseram de pé uma escola de educação especial modesta, mas onde finalmente as crianças com deficiência mental tinham um lugar próprio e, ainda que pequenina, uma janela aberta para o futuro.
E temos que envolver neste abraço de comemoração todos quantos, dia a dia, têm ajudado a construir esperança, dos dirigentes aos colaboradores atuais ou passados, passando pelos nossos clientes, a razão primeira de existirmos, pelos empresários e entidades locais e sobretudo pelas pessoas que, acreditando no trabalho que fazemos, são o verdadeiro estímulo para que façamos cada vez mais e melhor.

 

Rogério Cação

Presidente da Direção

 

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